segunda-feira, 1 de novembro de 2010



VOLTA MARINA PARA O MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE.

Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima[1] (Rio Branco, 8 de fevereiro de 1958) é uma ambientalista, historiadora, pedagoga e política brasileira, filiada ao Partido Verde.[2] e antigamente filiada ao Partido dos Trabalhadores. Foi ministra do Meio Ambiente e Senadora pelo Acre em Brasília.
Atualmente, Marina Silva ocupa o cargo de senadora pelo estado do Acre. Foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo Partido Verde, obtendo a terceira colocação entre nove candidatos, com 19,33% da porcentagem total - expressivos 19.636.359 votos.


BIOGRAFIA.

Marina Silva nasceu em Rio Branco, capital do estado do Acre, em 8 de fevereiro de 1958. Foi registrada com o nome de Maria Osmarina Silva de Souza,[4] sendo filha do seringueiro Pedro Augusto da Silva e de Maria Augusta da Silva.[4]O nome Marina, decorrente de um apelido dado por uma tia, foi acrescentado por ocasião da eleição de 1986, quando os candidatos ainda não podiam usar alcunhas nos nomes oficiais (um processo semelhante ao que aconteceu com Luiz Inácio Lula da Silva).
Durante sua infância e parte de sua adolescência, Marina viveu com sua família em uma palafita chamada Breu Velho, no seringal Bagaço, a 70 km do centro de Rio Branco.[5] Seus pais tiveram onze filhos, dos quais oito sobreviveram.[6] A mãe de Marina, Maria Augusta da Silva, faleceu quando a mesma tinha quatorze anos, vítima de inúmeras doenças adquiridas pela falta de infraestrutura no local onde viviam.[4]
Aos quinze anos, foi viver na zona urbana de Rio Branco, para tratar de sua saúde. Havia contraído hepatite, porém os médicos atestaram ser malária.[4] Na mesma época, duas de suas irmãs faleceram, uma vítima de sarampo e outra vítima de malária. Fixou-se definitivamente em Rio Branco em 1974, recebendo os cuidados do então bispo do Acre, Dom Moacyr Grechi, que a acolheu na casa das irmãs Servas de Maria. Analfabeta, Marina foi matriculada no Mobral, projeto de alfabetização do regime militar, alfabetizando-se aos dezesseis anos.[4]
Em Rio Branco, seu primeiro trabalho foi de empregada doméstica, abandonando seu plano inicial de ser freira. Ao longo de sua adolescência e juventude, Marina Silva teve inúmeros problemas de saúde, tais como malária, contaminação por mercúrio e leishmaniose. Decidiu estudar História, formando-se em 1984, aos vinte e seis anos, na Universidade Federal do Acre.[4]
Seu primeiro casamento ocorreu em 1980 e resultado em dois filhos: Shalon e Danilo. A união terminou em 1985. No ano seguinte, em 1986, casou-se com Fábio Vaz de Lima, técnico agrícola que assessorava os seringueiros de Xapuri. Desse casamento, que dura até hoje, Marina teve Moara e Maira.[6]
Apesar de ter sido educada no catolicismo, professa o cristianismo evangélico, desde 1997, sendo membro da Assembleia de Deus.[7]
[editar] Trajetória política

Marina Silva discursa durante o lançamento do Plano Amazônia Sustentável, em 8 de maio de 2008.
Ingressou no Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização marxista que se abrigava no Partido dos Trabalhadores, então sob o comando do deputado José Genoíno.[8][9]
Foi professora na rede de ensino secundário e engajou-se no movimento sindical. Foi companheira de luta de Chico Mendes e com ele fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre, em 1985, da qual foi vice-coordenadora até 1986. Nesse ano, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e candidatou-se a deputada federal, obtendo o apoio de Chico Mendes, então candidato a deputado estadual. Marina e Chico Mendes não foram eleitos.[4]
Em 1988, foi a vereadora mais votada do município de Rio Branco, conquistando a única vaga da esquerda na câmara municipal.[10] No mesmo ano, ocorreu o assassinato de Chico Mendes, amigo pessoal de Marina.[4] Nesse cargo, combateu diversos privilégios dos vereadores e devolveu para os cofres da Câmara os benefícios financeiros a que eles, inclusive ela própria, tinham direito. Com essas ações, muitos adversários políticos foram criados, contudo a sua popularidade cresceu.[11]
Exerceu seu mandato de vereadora até 1990, quando candidatou-se a deputada estadual e obteve novamente a maior votação, tendo sido eleita.[10] Logo no primeiro ano do novo mandato descobriu-se doente: havia sido contaminada por metais pesados quando ainda vivia no seringal, como consequência do tratamento da leishmaniose, de três hepatites e de cinco malárias.[6]
Em 1994, foi eleita senadora da República, pelo estado do Acre, com a maior votação, sendo a pessoa mais jovem a ocupar o cargo de senador no Brasil.[10] Foi Secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, de 1995 a 1997.[9]
[editar] Ministério do Meio Ambiente

Marina Silva ao lado de Dilma Rousseff, com quem manteve divergências durante sua administração no Ministério do Meio Ambiente.[12]
Em 2003, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, foi nomeada ministra do Meio Ambiente. Desde então, enfrentou conflitos constantes com outros ministros do governo, quando, de acordo com a mesma, os interesses econômicos se contrapunham aos objetivos de preservação ambiental. Uma das notáveis divergências envolvendo Marina e outro Ministério, ocorreu em 2008, quando a mesma se desentendeu com Roberto Mangabeira Unger, então Ministro da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, devido ao fato da Coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS) ter sido destinado à Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.[13]
Em dezembro de 2006, enfraquecida por uma disputa com a Casa Civil, que a acusava de atrasar licenças ambientais para a realização de obras de infra-estrutura, a ministra avisara que não estaria disposta a flexibilizar a gestão da pasta para permanecer no governo.[12]
Em 2008, agravaram-se as divergências com a ministra Dilma Rousseff, do Ministério da Casa Civil em decorrência da demora na liberação das licenças ambientais, pelo Ibama, para as obras no rio Madeira, em Rondônia. Essa demora e o rigor na liberação dos documentos foram considerados como um bloqueio ao crescimento econômico.[14]
Marina Silva também denunciou pressões dos governadores de Mato Grosso, Blairo Maggi, e de Rondônia, Ivo Cassol, para rever as medidas de combate ao desmatamento na Amazônia.[15]
Em 13 de maio de 2008, cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS), cuja administração foi atribuída a Roberto Mangabeira Unger, Marina Silva entregou sua carta de demissão ao Presidente Lula, em razão da falta de sustentação à política ambiental, e voltou ao exercício do seu mandato no Senado Federal.[16] Sobre a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, o Presidente Luís Inácio Lula da Silva declarou:

O importante é que tenha alguém isento para tocar esse plano (PAS). A Marina não é isenta; o Stephanes não é isento. Por isso, será o Mangabeira Unger.

Presidente Lula em reunião no Palácio do Planalto para o lançamento do PAS em 8 de maio de 2008[17]
Durante sua administração no Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva acabou perdendo a luta histórica contra os transgênicos, contra a usina nuclear de Angra III e não conseguiu aprovar uma Comissão Técnica nacional de Biossegurança (CNTBio), de caráter ambientalista, uma de suas metas formais.[4] Entretanto, algumas medidas adotadas pelo Governo Lula nos últimos anos foram de sua autoria ou contou com sua participação e articulação política, como a proteção maciça a todas as espécies de peixes do Rio Madeira, a redução em oito vezes do tamanho do lago do Rio Madeira e a redução da vazão de água na transposição do Rio São Francisco.[4]

Candidatura à Presidência.
Marina Silva em campanha, em 2010.
Em 2007, um movimento apartidário de cidadãos, denominado "Movimento Marina Silva Presidente", iniciou a defesa pública de sua candidatura à presidência da República. A repercussão internacional deste movimento fez com que o Partido Verde Europeu influenciasse o Partido Verde do Brasil a convidá-la para afiliar-se em seus quadros.[18] Assim, desde agosto de 2009, Marina foi cogitada a ser candidata à presidência da República pelo Partido Verde (PV).
No dia 19 de agosto de 2009, Marina Silva anunciou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT). Afirmou que a decisão foi taciturna e a comparou com o fato de ter deixado a casa dos pais há 35 anos num seringal rumo a uma cidade grande.

Não se trata mais de fazer embate dentro de um partido em que eu estava há cerca de 30 anos, mas o embate em favor do desenvolvimento sustentável.

— Marina Silva, após anunciar sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores.[19].
Desde 1997, Marina já propunha essa forma de desenvolvimento.[20]
Em 11 de junho de 2010, anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, em uma convenção do Partido Verde na qual afirmou pretender ser a primeira mulher, negra e de origem pobre a governar o Brasil.[21]
No início de setembro, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a candidata contava com 10% das intenções de voto, contra 50 % de Dilma Rousseff e 28 % de José Serra, número inferior aos votos nulos e brancos, que à época somavam 11 %.[22] Um dia antes do pleito, o instituto previa 16% do total de votos favoráveis à Marina, uma variação de 6 % em menos de um mês.[23] De acordo com o Ibope, em pesquisa do início do mês de setembro, Marina Silva teria 8 % dos votos totais, contra 51 % de favoráveis à Dilma Rousseff e 27 % favoráveis à José Serra.[24] Na pesquisa da véspera das eleições, o mesmo instituto previa para Marina 16% do total de votos, uma evolução de 8 % em um período de um mês.[25] O crescimento de Marina Silva no primeiro turno das Eleições brasileiras de 2010 foi denominado pela imprensa como "onda verde".[26]
Ao final do primeiro turno das Eleições Presidenciais de 2010, em 3 de outubro, Marina Silva obteve 19.636.359 votos, o que correspondeu a 19,33 % dos votos válidos, ocupando assim, o terceiro lugar na disputa que seguiu para o segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra.[27] O resultado foi maior do que previam as últimas pesquisas de intenção de votos. Os institutos Datafolha e Ibope, por exemplo, calculavam 17% dos votos válidos para Marina e chegavam a prenunciar a vitória de Dilma ainda no primeiro turno.[28]
Marina Silva obteve vitória sobre os outros candidatos em algumas capitais, como Brasília (41% dos votos válidos), Belo Horizonte (39% dos votos válidos) e Vitória (37% dos votos válidos). Ocupou a segunda colocação em estados como Rio de Janeiro (31% dos votos válidos), Amapá (29% dos votos válidos), Amazonas (25% dos votos válidos) e Pernambuco (20% dos votos válidos).[27]

Marina Silva anunciando a criação do Instituto Chico Mendes.
Em 1996, Marina Silva recebeu o Prêmio Goldman do Meio Ambiente pela América Latina e Caribe, nos Estados Unidos.[29] Onze anos depois, em 2007, por meio da Medida Provisória 366, ocupando o cargo de Ministra do Meio Ambiente, Marina desmembrou o Ibama e repassou a gestão das unidades de conservação da natureza federais para o Instituto Chico Mendes. No mesmo ano, recebeu o maior prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) na área ambiental - o Champions of the Earth (Campeões da Terra) - concedido a seis outras personalidades: o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; Jacques Rogge, do Comitê Olímpico Internacional; Cherif Rahmani, da Argélia; Elisea Gillera Gozun, das Filipinas, e Viveka Bohn, da Suécia.[30][31]
Em 2008 recebeu o Eco & Peace Global Award, entregue durante a ECO 2008 - Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Cultura da Paz, realizada em Brasília. Outras personalidades também receberam honrarias, como Michael Kramer (pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha - Suíça); Pauli Gunter Pauli, da Bélgica, fundador da ZERI - Zero Emissions Research & Initiatives); Zilda Arns, também brasileira, fundadora da Pastoral da Criança; Washington Novaes, jornalista especializado em Meio Ambiente e Paulo Nogueira Neto, ex-ministro de Meio Ambiente.[32] Em 1 de abril de 2009, recebeu o prêmio norueguês Sofia, de 100 mil dólares, por sua luta em defesa da floresta amazônica. O motivo maior da homenagem recebida por Marina Silva, segundo a Fundação Sofia, foi a redução do desmatamento para o segundo nível mais baixo em vinte anos.[33][34]
Em 10 de outubro de 2009, recebeu o prêmio Mudanças Climáticas, oferecido pela Fundação Príncipe Albert II de Mônaco.[35] Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.[36] Também foi considerada um dos 100 maiores protagonistas do ano de 2009 pelo jornal espanhol El País[37]
[editar] Opinião, postura e críticas
Ao longo de sua trajetória política, Marina envolveu-se em polêmicas políticas e sociais. Defendeu o direito das escolas adventistas de ensinarem o criacionismo - como ela própria esclareceu depois, desde que também se ensinasse o evolucionismo. Segundo ela:

No espaço da fé, a ciência tem todo o acolhimento. Eu gostaria que a fé tivesse o mesmo acolhimento da ciência.

— Marina Silva
Marina também posicionou-se contra as pesquisas com células-tronco embrionárias, tendo defendido a utilização de células-tronco adultas,[38] e contra a descriminalização do aborto,[4] embora seja favorável à realização de um plebiscito no Brasil para tratar do tema.[39]
Disse ser contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, embora tenha se posicionado favorável à união civil 'de bens' entre homossexuais.[40] Também diz ser contra a legalização de drogas ilícitas, como a maconha, apesar de também defender uma consulta popular sobre o tema.
Durante sua campanha em 2010, foi criticada por Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus, mesma denominação religiosa da qual a parlamentar faz parte. Malafaia criticou-a por sua opinião em relação ao aborto, em defender um plebiscito, além de Marina, enquanto senadora, ter engavetado o projeto de lei da Câmara nº 2865/2008, de autoria do deputado federal Filipe Pereira, que obrigaria todas as bibliotecas públicas brasileiras a colocar à disposição um exemplar da Bíblia Sagrada em seu acervo.

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